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Archive for the ‘Politics’ Category

Software português para o computador português

Manifesto o meu total apoio ao apelo do Paulo Vilela.

Sei que somo ingénuos em pensar que pode surtir algum efeito mas hey, hei-de sempre ser ingénuo e acreditar que posso fazer a diferença. Deixo o meu apelo pessoal ao meus amigos que têm a mesma convicção que façam o mesmo.

Aos que dão as risadas do costume, lembro-vos de quantas vezes já fui a piada e quantas vezes me sai a rir. Deixem lá pensar,… O rapaz que queria ser campeão mundial de GP2, o rapaz que queria trabalhar em Sillicon Valley, o rapaz que disse que ia resolver o problema de Bolonha, etc. (Não se faz nada sozinho e em tudo isto precisei da ajuda de muito boa gente, e por isso sinto-me sempre obrigado a agradecer aos que tornaram isto possível.)

Como diriam os meus amigos da B&O:

Courage to constantly question the ordinary

É por isso que os dinamarqueses são um povo com uma mentalidade espectacular. E foi essa a mais importante lição que retirei de lá estar. Sempre fui, ao contrario da maioria do povo portugues, um rapaz ambicioso e certo de si mesmo. Nunca tive problemas em por a barra o mais alto que podia e saltar até passar por cima. E depois passar para a altura seguinte. Nisso eles não tinham muito a dar-me, apesar de também serem muito assim.

A lição foi: Não é só o que podes fazer por ti e pelos teus, mas também como podes melhorar a vida da comunidade em que estas inserido. O valor acrescentado que isso dará a tua vida vai ser surpreendentemente grande. E eu pude compravar por a + b o quanto a diferença é grande quando toda a gente está disposta a sacrificar as parolices do costume em prol de uma comunidade mais justa. E o quanto é melhor não haver crime, nem pedintes, nem degradação humana a cada esquina.

Exemplo: Lá os presidentes da câmara não tem motorista e um Mercedes. Alias é raríssimo quem tenha um Mercedes, devido ao imposto automóvel de 120%. E o facto dos impostos variarem entre 40% e 60% permite que a saúde seja grátis para todos e que não hajam propinas. Alias todos os alunos recebem algo como 600€ mês apenas por estudarem no ensino superior. 85% dos jovens ingressam no ensino superior.

Quando lhes contei que a ambição pessoal do nosso primeiro ministro era trabalhar na Europa e como ele manipulava as estatísticas para o conseguir (até dava exemplos mas é por demais evidente) a cara deles era um misto de surpresa e desprezo por um politico que sendo a principal figura do pais se preocupava mais com a sua carreira que com o desenvolvimento do mesmo.

Então uma pessoa muito importante que estava no jantar (não vou referir quem) contou-me sobre a única vez que trabalhou com Portugueses. Foi no âmbito de um projecto de investigação cientifica financiado pela União Europeia. A certa altura (e isto parece uma anedota) os Dinamarqueses, Holandeses, Italianos e Portugueses tiveram que fornecer a lista de despesas para receberem o financiamento (sendo que este tinha um limite). Os dinamarqueses e os holandeses entregaram algo semelhante apesar dos ordenados dos Dinamarqueses serem ligeiramente superiores. Os Italianos inflacionaram o valor para o dobro. Os portugueses atingiram o limite do financiamento tendo um ordenado base 6 vezes maior que o dos dinamarqueses. Inteligentes? Não minha opinião não. Oportunistas e palhaços, a denegrirem a imagem do pais. Acham que alguma destas pessoas estaria alguma vez interessado em voltar a fazer pesquisa, ou o que quer que fosse, com portugueses? Claro que não.

Mas os indivíduos ficaram cheios de dinheiro, porreiro pá!

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Contas

Há coisas que nunca são demais mostrar. Mesmo que antigas. Sobre o programa novas oportunidades:

  • 240 mil licenças de Microsoft Windows Vista Home BasicN Português DVD, 256,57€, resultam em mais de 61 milhões de Euros (61.576.800€)
  • 240 mil licenças de Microsoft Office Home and Student 2007 Português OEM, 128,51€, resultam em mais de 30 milhões de Euros (30.842.400€)

Mesmo que existisse a oferta do software, seria um presente envenenado cobrado várias vezes à economia portuguesa no futuro a médio e longo prazo.

Em http://blog.softwarelivre.sapo.pt/2007/06/05/que-casamento-e-este/

Agora as mesmas contas usando uma qualquer distribuição Linux e Open-Office:

240 mil vezes zero = zero euros (linux)

240 mil vezes zero = zero euros (open-office)

total: zero euros

poupança possível do estado: 91 milhões de euros (dos vossos bolsos)

Eu até falei de como os portugueses são tão lorpas que são roubados quando compram estes computadores e nem sequer notam. Mas esqueci-me destes pormenores fantásticos, ainda são mais roubados nos impostos que pagam por causa de promaiores como este. Peço desculpa, é que usar qualquer palavra com menor quando estam envolvidos 91 milhões parece mal.

É de referir que a Microsoft – segundo consta – fez um descontinho. Obrigado Microsoft! ;) Sempre tão simpáticos. Portanto sim provavelmente as verbas são inflacionadas, mas isso é da responsabilidade do autor do artigo e não minha. Eu só fiz as contas – com alguma dificuldade admito – do linux!

[EDIT: Vi neste post o teste de literacia digital das novas oportunidades. Peço que o façam e constatem que são todos uns iliterados porque aposto que poucos vão conseguir acabar a avaliação. E vejam lá que alguns de vocês – como eu! – são engenheiros informáticos. Que vergonha! :(]

Carta aberta ao Dr. Rui Rio

Caro Rui Rio,

Dr. Rui Rio sou o Eng. Nuno Pinto. Mas prefiro que me tratem por Nuno.

Não votei em si nem nunca o faria.

Preferia que me cuspissem no olho.

Literalmente!

Por favor faça um favor a todos os portuenses e demita-se. Estamos fartos da sua postura populista.

Não queremos mais Red Bulls Air Races, nem carrinhos de choque na Boavista, nem arvores de natal feitas de ferro e patrocinadas por bancos.

Este ano queremos que, por exemplo, resolva o problema do Aleixo. Vamos-nos relembrar daquela medida que tomou que tornou impossível alguém que viva no Aleixo sair do Aleixo (isto aplica-se a qualquer bairro social na cidade do porto). Alguém que nasce lá não tem qualquer hipótese de sair de lá para outro bairro. A não ser que lhe saia o Euro-milhões, claro!

No entanto, se alguma vez passou por lá, já deve ter notado que estão cerca de 100 drogados junto a torre 1, alguns com seringas penduradas no braço. Já deve ter notado que as condições de vida são miseráveis e que se existe no mundo um sitio onde se pode ver a degradação da espécie humana aquele é o sitio.

Veja lá o senhor, que tenho primos meus a morar lá. Veja lá que existem pessoas de origem modesta que vencem na vida e não querem estar num ambiente degradante como este. Provavelmente se o Sr. Rui Rio fosse presidente da câmara quando eu era miúdo actualmente estaria morto, preso ou então no gangue do Pidá (preso mas famoso).

Da duas uma ou o presidente da câmara deixa as pessoas mudarem de bairro social e só lá fica quem quer ou resolve o problema e faz com que os drogados se mudem para o bairro 500m ao lado.

Para finalizar deixo um desafio: Se é assim tão justo e correcto como dizem, meta os seus filhos a morar no Aleixo por dois dias que seja. FAÇA-O. E depois diga-me como é que se justifica que o meu primo, que é um bom rapaz, seja obrigado a morar lá.

Para finalizar gostava de mostrar a minha disponibilidade para fazer disto uma rubrica semanal, sempre com um novo problema real para resolver na cidade do porto. Isto para lhe ocupar o tempo, já que lhe sobra tanto para organizar corridas.

[NOTA: Este post era originalmente um comentário ao que foi escrito aqui pelo Mário Lopes. Mas é também inspirado em todas as cartas que alguma vez enviei ao Pai Natal. Talvez isso explique o porquê de receber sempre meias.]

Ana Drago em entrevista a O Jogo

Hoje comprei O Jogo. Estava em Guimarães e, como sou portista, quis dar uma olhada ao que se passava no mundo do futebol enquanto viajava no comboio em direcção ao Porto.

Enquanto lia encontrei uma entrevista a deputada Ana Drago do Bloco de Esquerda. Já conhecia o percurso da mesma a algum tempo e de quem até já li algumas entrevistas. Mas ver-la no jornal “O Jogo” deixou-me, no mínimo, perplexo. Afinal de contas não sabia que gostava de futebol.

Ao ler a entrevista conclui-se facilmente que afinal existem mulheres bonitas, inteligentes e solteiras. Para além da minha namorada, claro!

Ficam aqui alguns excertos dessa mesma entrevista, assim como o link para a totalidade do artigo.

(…)não quero que a política venha a ser a minha carreira. Acho aliás que quando a política se transforma numa carreira é porque a pessoa já perdeu um pouco o verdadeiro sentido da sua vida.

(…) o grande problema é que há mecanismos que distorcem a realidade da concorrência. Cada vez mais temos interesses privados a entrar dentro do bolso do Estado, recebendo uma renda sem qualquer risco.

Uns dias sou perfeitamente ateia, no dia seguinte sou agnóstica, uns dias acordo comunista, noutros anarquista, adormeço socialista mas de manhã sou libertária… O que sei é que me interessa um conjunto de vontades e de lutas sociais que essas várias correntes políticas de pensamento e de inspiração filosóficas foram levando a cabo ao longo da História. E vou fazendo o cruzamento delas, o confronto entre os seus diversos argumentos. Mas na verdade nunca consigo fixar-me e dizer: é isto que eu sou! Porque sou uma busca no meio disso tudo.

Pode parecer um chavão, mas aquilo que eu penso é que Sócrates aplica com maior eficácia uma política que já era a de Durão Barroso e de Paulo Portas: a ideia de que, para que o Estado português possa sobreviver, é preciso haver uma reforma estrutural do país. Tradução: transformar aquilo que construímos desde o 25 de Abril! É verdade que em Portugal sempre tivemos um Estado social fraco na sua capacidade de protecção, de prestação, de efectivação de direitos. Mas existia a concepção central de que o exercício da democracia tinha de estar associado justamente a um conjunto de direitos: o acesso à educação, à saúde, à segurança social. E o que Sócrates vem afirmar é que isto não é sustentável e é preciso reformar estruturalmente o Estado. Garante que quer salvar o Estado social, só que na prática está a matá-lo, ao fazer as restrições que faz na segurança social, ao entregar ao mercado tudo o que pode entregar-lhe. Dizendo que talvez o mercado resolva as coisas… Isto é, que o Estado, no fundo, não tem obrigações sociais, ou muito poucas.

Interessados? Podem ler o resto aqui.

Intenções de voto

Eu voto bloco de esquerda e sou ateu.
Boris passa-me ai a Kalashnikov!

E agora de volta aos momentos felizes:

A Mais Alta Arvore de Natal da Europa

A Mais Alta Arvore de Natal da EuropaVenho agora da cidade da Arvore de Natal Mais Alta da Europa! Temos o GP Histórico, temos o RedBull Air Race e agora a Arvore de Natal Mais Alta da Europa. É daquelas coisas que dá orgulho de ser portuense! Ter um governante assim dá gosto. Uma pessoa incorruptível, uma pessoa que jamais fecharia a Câmara ao Futebol Clube do Porto se fossem campeões europeus, uma pessoa incapaz de despejar velhinhos que viveram toda a sua vida na mesma ilha, uma pessoa que seria incapaz de emitir um despacho que proibisse todas as pessoas que vivem em bairros sociais de mudarem para outro. Afinal quem mais que ele percebe como é morar na torre 1 do Aleixo com dois filhos com menos de 7 anos. Não percebe senhor Rui Rio? Claro que percebe. (A continuar assim manda alguém dar pancada a uns camionistas na ponte do Freixo e ainda acaba como presidente da republica!)

Tenho muito orgulho em dizer que quando estava no décimo segundo ano e era representante dos alunos da minha escola me recusei a estender a minha mão e cumprimentar este senhor. Valeu a pena o raspanete que levei do director, a minha mãe sempre me ensinou a não me dar com escumalha.

Mas afinal quem é que quer saber da merda da maior arvore natal da Europa? Quem??? Quero Eu. Tenho aulas amanhã e tive que ir até Campanhã apanhar o comboio para Braga porque os parolos todos sairam a rua para ver o raio da arvore. É um pinheiro pessoal, atinjam, um pinheiro. Falso ainda por cima. Um pinheiro! Querem que soletre? Não tem duendes mágicos, não oferecem rebuçados, não estão lá as meninas da netcabo, nem sequer os famosos Microsofties talibans de quem o Mário Lopes tanto gosta. É apenas e só um pinheiro. Falso.
Agora que não venha agora alguém da câmara com chantagens para o meu email, isso é so-last-week. Actualizem-se.

Pelo menos na viagem tive a oportunidade de acabar o The Semantic Web da Wiley. O livro aborda muitos dos temas que são leccionados no meu mestrado, na unidade curricular de Engenharia de Linguagens. É uma leitura porreira para quem não saiba rigorosamente nada dos standards do W3 consortium, nem de ontologias ou abordagens à inteligência artificial. Mas se o vosso objectivo era o mesmo que o meu, ver algumas aplicações da tão famosa Sematic Web, comprem/requisitem outro livro. Neste não vão ver nada disso. O que tirei daqui foi que misturar soap/xml/xsd/svg/xforms da para muita coisa. E eu vou fazê-lo para o meu projecto de mestrado!

Entrentanto vou dando feedback aqui no blog.

e-oportunidades

O incrível governo Português apresenta: e-oportunidades, uma iniciativa para a generalização do uso dos computadores e Internet. Um computador portátil para cada estudante do ensino secundário em Portugal por apenas 150€! A minha avó sempre me disse isto:

Neste mundo não se dá nada a ninguém.

Como dizem os Ingleses, “what’s the catch?”. Para explicar os meus pontos e vista sobre o assunto vou antes introduzir o tema.

O governo Português vive para a estatísticas, para os relatórios. Para que se possa dizer que os tão famosos indicadores melhorem. Porque o fazem? Para que Portugal cresça dirá uma pessoa apanhada desprevenida. Não! Porque Portugal vive da televisão e está baseia-se em relatórios para dar noticias, nos indicadores. Existe, de facto, uma correlação entre o número de apreciações positivas nesses indicadores com a popularidade do governo. Ou seja, o tacho deles está dependente disso.

Costumo dizer se tens um problema com alguém e ele não o resolve, faz com o problema seja também dele. Garanto que o problema vai aparecer resolvido.

Os indicadores são problema, logo o o governo precisa de atingir determinadas metas. Apenas por isso eles fazem algo por Portugal. Essa do patriotismo faz-me rir. As pessoas só fazem por elas próprias. Já não existem governos, são governos-empresa a trabalhar milestone por milestone. Já não somos cidadãos, só clientes.

Surge assim um problema, o governo quer atingir objectivos para ser reeleito e continuar a ter a sua vida principesca. Mas e o dinheiro para dar tanto computador a 150€? Resposta: Não há! Então faz-se magia.

Apresentando, governo como mágico. Numa mão, o computador por 150€. Na outra, Internet. Toda a gente fica a olhar para o computador. Quando se junta as duas mãos temos o fantástico resultados final:

  • Computador por 150€ + 36*(35-5)€; ou seja 1230€.

Isto é o valor máximo que o computador pode comprar, o mínimo depende do que a operadora móvel cobrar pelo serviço de Internet INÚTIL que vai obrigar o cliente a ter durante 36 meses. Sim, obrigar. Contrapor-se-ia que a Internet é importante. Sim. Mas paga? As escolas têm wireless grátis. As universidade também. E mesmo que não tivessem, não é obrigação do governo fornecer as pessoas a Internet?

A verdade é esta. Se querem ajudar a evolução tecnológica Portuguesa façam algo de jeito com os dinheiros públicos, algo que não seja encher os bolsos dos privados (provavelmente os vossos, ou onde tem interesses). Façam redes wireless gratuitas nos principais centros urbanos, criem meios para o acesso a Internet nas regiões interiores, arranjem realmente computadores a 150€ (não 1200). Subsidiem o ensino superior e o ensino secundário; publico e de qualidade.