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Carta aberta ao Dr. Rui Rio

Caro Rui Rio,

Dr. Rui Rio sou o Eng. Nuno Pinto. Mas prefiro que me tratem por Nuno.

Não votei em si nem nunca o faria.

Preferia que me cuspissem no olho.

Literalmente!

Por favor faça um favor a todos os portuenses e demita-se. Estamos fartos da sua postura populista.

Não queremos mais Red Bulls Air Races, nem carrinhos de choque na Boavista, nem arvores de natal feitas de ferro e patrocinadas por bancos.

Este ano queremos que, por exemplo, resolva o problema do Aleixo. Vamos-nos relembrar daquela medida que tomou que tornou impossível alguém que viva no Aleixo sair do Aleixo (isto aplica-se a qualquer bairro social na cidade do porto). Alguém que nasce lá não tem qualquer hipótese de sair de lá para outro bairro. A não ser que lhe saia o Euro-milhões, claro!

No entanto, se alguma vez passou por lá, já deve ter notado que estão cerca de 100 drogados junto a torre 1, alguns com seringas penduradas no braço. Já deve ter notado que as condições de vida são miseráveis e que se existe no mundo um sitio onde se pode ver a degradação da espécie humana aquele é o sitio.

Veja lá o senhor, que tenho primos meus a morar lá. Veja lá que existem pessoas de origem modesta que vencem na vida e não querem estar num ambiente degradante como este. Provavelmente se o Sr. Rui Rio fosse presidente da câmara quando eu era miúdo actualmente estaria morto, preso ou então no gangue do Pidá (preso mas famoso).

Da duas uma ou o presidente da câmara deixa as pessoas mudarem de bairro social e só lá fica quem quer ou resolve o problema e faz com que os drogados se mudem para o bairro 500m ao lado.

Para finalizar deixo um desafio: Se é assim tão justo e correcto como dizem, meta os seus filhos a morar no Aleixo por dois dias que seja. FAÇA-O. E depois diga-me como é que se justifica que o meu primo, que é um bom rapaz, seja obrigado a morar lá.

Para finalizar gostava de mostrar a minha disponibilidade para fazer disto uma rubrica semanal, sempre com um novo problema real para resolver na cidade do porto. Isto para lhe ocupar o tempo, já que lhe sobra tanto para organizar corridas.

[NOTA: Este post era originalmente um comentário ao que foi escrito aqui pelo Mário Lopes. Mas é também inspirado em todas as cartas que alguma vez enviei ao Pai Natal. Talvez isso explique o porquê de receber sempre meias.]

Comments on: "Carta aberta ao Dr. Rui Rio" (6)

  1. “Da duas uma ou o presidente da câmara deixa as pessoas mudarem de bairro social e só lá fica quem quer ou resolve o problema e faz com que os drogados se mudem para o bairro 500m ao lado.”

    Ou seja, aparentemente o problema não se resolveria solucionando a questão dos toxico-dependentes (o que seria, aliás, um problema para o governo e não para a autarquia local, ao abrigo das competências vigentes). Tudo estava bem se o Dr. Rui Rio pegasse nos ditos cujos e os remetesse a outra paragens. Sabe-se lá com que autoridade e com que direito. Longe da vista…

    Sem dúvida uma visão lúcida e realista do problema. Irem para outro sítio de modo a que passem a ser o problema dos “primos” dos outros.

    “E depois diga-me como é que se justifica que o meu primo, que é um bom rapaz, seja obrigado a morar lá.”

    Obrigado? Alguém lhe encostou alguma arma à cabeça? Existe alguma lei que o obrigue a lá ficar?

  2. Sem dúvida uma visão lúcida e realista do problema. Irem para outro sítio de modo a que passem a ser o problema dos “primos” dos outros.

    Como me parece evidente estava a ser irónico evidenciando o ridículo da proibição de mudar de bairro social. Alias todo este posts foi escrito com alguma ironia. Não se nota? Deve ser por isso que estou em informática e não em literatura :\

    Obrigado? Alguém lhe encostou alguma arma à cabeça? Existe alguma lei que o obrigue a lá ficar?

    Se lhe apontaram uma arma a cabeça. Que eu saiba, hoje não. Caro leitor como é evidente se ele está lá paga uma renda própria para este tipo de arrendamento. Preciso mesmo de explicar que não se trata de uma família rica?

    É assim tão difícil ver que nem toda a gente tem o nível de vida que eu e os leitores deste blog têm?

    A pergunta que se põe é se o estado, e a câmara, não deve criar condições para que no futuro todos possam ter esse nível de vida, desde que lutem por isso. Com condições iguais as pessoas que nascem quer no Aleixo quer nos Pinhais da Foz. Claro que isto não é possível, mas permitir a permuta entre bairros sociais É.

    Alias foi o Dr. Rui Rio que o proibiu. Assim como muitas outras coisas que fez que me fazem dar a volta ao estômago só de pensar nelas.

    Espero ter-lo esclarecido sobre a lucidez do meu post. Como diria a minha avó: “Ainda não estou choné”. Há sempre uma frase da minha avó para me fazer rir! :)

    Boas festas!

  3. “Alias todo este posts foi escrito com alguma ironia. Não se nota?”

    Sinceramente, acho que alguma passou ao lado.

    “Caro leitor como é evidente se ele está lá paga uma renda própria para este tipo de arrendamento. Preciso mesmo de explicar que não se trata de uma família rica?”

    Meu caro, a habitação social, financiada pela generalidade dos contribuintes, existe com os contornos com que existe. Pessoalmente, o facto de existir, conjugado com a nossa brilhante lei do arrendamento, já é por si só um problema.

    Não me parece que o seu primo até não beneficie de um tecto condigno, e com condições que porventura serão melhores que as de muitos que pagam impostos e que não beneficiam de uma situação semelhante, que lhes permita até já se preocuparem com a vizinhança.

    Temos pena que a sua vizinhança não seja a melhor, assim como a não é a de muitos proprietários e arrendatários, daqueles que têm que andar no mercado a batalhar por uma renda que consigam pagar ou se endividaram até aos cabelos, sem o “patrocínio” do papá estado. Muitos deles, porventura até não se importariam de trocar.

    A habitação social como existe faz-se com regras. Tem toda a liberdade quem a ela recorre de as aceitar e beneficiar do apoio, ou de as rejeitar e não o fazer.

    Além disso, deixo-lhe como exercício mental o pensar o que aconteceria se fosse permitida essa mobilidade entre bairros sociais, e o que seria feito do investimento, relembro-lhe, com dinheiros públicos, feito nos locais onde está feito.

    O problema da toxicodependência e da segurança é um problema concreto e autónomo, que nem é sequer exclusivo desses bairros. Resolve-se separadamente.

    “A pergunta que se põe é se o estado, e a câmara, não deve criar condições para que no futuro todos possam ter esse nível de vida, desde que lutem por isso.”

    A resposta, quanto a mim, é que sim. Sendo essas condições o sair do caminho e deixar de ser um problema à força de querer ser a solução.

    Boas festas.

  4. Obrigado pelo comentário.

    Mas relembro-lhe que esta mobilidade já existiu anteriormente, embora confessando a minha incapacidade para calcular os efeitos que esta tem no investimento.

  5. e já agora, quando uma equipa que representa a cidade, ganha um campeonato a nível nacional, europeu ou mundial, é bom que a câmara o reconheça, e deixar os seus adeptos festejarem nos passos do concelho, como era tradição.

    eu não moro no porto, mas nao gosto do Rio desde o primeiro dia!!

    Mas na minha terra, Vila Real de Sto Antonio, tambem temos uma camara psd, desde as ultimas eleições, e tem sido sempre a descer..

  6. *ironic mode on*
    Parece que o senhor leu o post e resolveu o assunto. *ironic mode off* (system failure, ironic mode shutdown failed :X)

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