nunojob:~ dscape/08$ echo The Black Sheep

Hoje comprei O Jogo. Estava em Guimarães e, como sou portista, quis dar uma olhada ao que se passava no mundo do futebol enquanto viajava no comboio em direcção ao Porto.

Enquanto lia encontrei uma entrevista a deputada Ana Drago do Bloco de Esquerda. Já conhecia o percurso da mesma a algum tempo e de quem até já li algumas entrevistas. Mas ver-la no jornal “O Jogo” deixou-me, no mínimo, perplexo. Afinal de contas não sabia que gostava de futebol.

Ao ler a entrevista conclui-se facilmente que afinal existem mulheres bonitas, inteligentes e solteiras. Para além da minha namorada, claro!

Ficam aqui alguns excertos dessa mesma entrevista, assim como o link para a totalidade do artigo.

(…)não quero que a política venha a ser a minha carreira. Acho aliás que quando a política se transforma numa carreira é porque a pessoa já perdeu um pouco o verdadeiro sentido da sua vida.

(…) o grande problema é que há mecanismos que distorcem a realidade da concorrência. Cada vez mais temos interesses privados a entrar dentro do bolso do Estado, recebendo uma renda sem qualquer risco.

Uns dias sou perfeitamente ateia, no dia seguinte sou agnóstica, uns dias acordo comunista, noutros anarquista, adormeço socialista mas de manhã sou libertária… O que sei é que me interessa um conjunto de vontades e de lutas sociais que essas várias correntes políticas de pensamento e de inspiração filosóficas foram levando a cabo ao longo da História. E vou fazendo o cruzamento delas, o confronto entre os seus diversos argumentos. Mas na verdade nunca consigo fixar-me e dizer: é isto que eu sou! Porque sou uma busca no meio disso tudo.

Pode parecer um chavão, mas aquilo que eu penso é que Sócrates aplica com maior eficácia uma política que já era a de Durão Barroso e de Paulo Portas: a ideia de que, para que o Estado português possa sobreviver, é preciso haver uma reforma estrutural do país. Tradução: transformar aquilo que construímos desde o 25 de Abril! É verdade que em Portugal sempre tivemos um Estado social fraco na sua capacidade de protecção, de prestação, de efectivação de direitos. Mas existia a concepção central de que o exercício da democracia tinha de estar associado justamente a um conjunto de direitos: o acesso à educação, à saúde, à segurança social. E o que Sócrates vem afirmar é que isto não é sustentável e é preciso reformar estruturalmente o Estado. Garante que quer salvar o Estado social, só que na prática está a matá-lo, ao fazer as restrições que faz na segurança social, ao entregar ao mercado tudo o que pode entregar-lhe. Dizendo que talvez o mercado resolva as coisas… Isto é, que o Estado, no fundo, não tem obrigações sociais, ou muito poucas.

Interessados? Podem ler o resto aqui.

Comments on: "Ana Drago em entrevista a O Jogo" (7)

  1. Como qualquer boa bloquista, fala muito nas causas sociais, mas nunca explica como é que estas causas se auto-financiam.

    Eu sou defensor do modelo socio democrático Europeu. No entanto, para que este modelo seja sustentável é necessário que exista uma economia forte — e a Europa tem gozado disso por diversos motivos. Caso contrário, não é possível garantir medidas de apoio social.

    Portanto, vejo as reformas que estão a ser feitas como indispensáveis para a preservação de um modelo social.

    Ou então, cara Ana Drago, será que nos pode explicar como é que os manteria?

    E anarquista hein? Nada que com uns anos em cima de vivência e experiência isso não vá ao sítio.

  2. Já agora Mário explica lá como isso se faz no modelo sócio-democrático Europeu.

    É privatizando os hospitais e o ensino publico que se torna o ensino e a saude acessíveis a todos?

  3. Nuno,

    Não nos percamos com a linguísta lacónica que o BE tanto gosta. Hospitais não foram privatizados. Foram privatizadas as Administrações dos Hospitais, que é radicalmente diferente. O que, na boa verdade, é absolutamente irrelevante. Se os hospitais forem geridos de forma eficiente e as pessoas continuarem a ter acesso ao SNS, qual é exactamente o problema de ter uma Administração privada?

    Quanto ao ensino público, o princípio é precisamente o mesmo. O papão da “privatização” não pode ser interpretado como o BE e o PCP querem que seja. O que interessa é que as pessoas continuem a ter acesso ao ensino de forma barata (preferencialmente gratuíta, mas ainda não é economicamente viável), independentemente de quem e como organizam a escola.

    Nenhum desses princípios basilares de uma sociedade social democrata, como é a nossa, está ou esteve em risco. A Ana Drago enganou-se foi na dosagem do haxixe (o que compreendo, acontece a todos. Só que uns não vão fazer declarações públicas a seguir a fumar esse).

  4. Eu discordo completamente. Isso de confiar nos privados e nas suas boa intenções é idiota. Queres um exemplo?

    Estados Unidos. A terra das oportunidades? Só se for pra quem vêm de fora. Lá quem entra numa certa escola primária já sabe que nunca andara, por exemplo, no MIT. Lá tudo funciona da maneira que tu defendes e é uma terra de hipócritas e medíocres.

    Eu percebo as tuas preocupações económicas, só não compreendo que possas ser tão ingénuo e pensar que “Os privados resolvem”. Resolvem porque? Os privados querem lucro, apenas o estado tem o dever/OBRIGAÇÃO de resolver. Senão para que o estado?

    Quanto a dosagem de haxixe é um comentário despropositado e estúpido. Já viste quantos políticos do “modelo sócio-democrático Europeu” apareceram bêbados em declarações publicas? Isso quer dizer que todos são uns bêbados? Eu chamo muitos nomes a alguns desses políticos que considero uns imberbes, mas chama-los de bêbados seria simplesmente idiota.

    A Ana Drago é uma mulher incrivelmente inteligente e bonita. E, caso não saibas, quando uma pessoa está janada não diz as coisas mais inteligentes do mundo. Logo duvido muito que ela o tivesse quando deu esta entrevista.

    Mas e se ela fuma uns charros? Que mal vem ao mundo? Fica sabendo que me considero dos melhores no que faço e não tenho medo de fumar um charro. Não considero que fosse uma pessoa pior por isso. Esses estigmas estupidos e do seculo passado tem lugar ai mesmo, no seculo passado.

    Vamos seguir em frente, deixar de perseguir pretos e judeus e mulheres inteligentes, aceitar as pessoas pelo o que elas são e aproveitar ao máximo o que elas têm para nos passar.

  5. Nuno,

    Não me venhas falar do EUA. Eu vivi lá um ano e sou dos primeiros a apontar o dedo ao modelo ultra capitalista e egoísta dos EUA. E os EUA estão LONGE de representarem o modelo que eu defendo.

    Eu defendo um modelo social-democrata equilibrado. Não libertário, não liberal, mas também não autoritário e não conservador. Um modelo de centro.

    Quanto aos privados, isso é totalmente descabido. Obviamente que os privados existem para gerar dinheiro, e não se espera menos — e por isso mesmo é que eles imprimem certas medidas que são necessárias, como por exemplo o despedimento em caso de incompetência. Uma Administração de um Hospital, sendo privada, terá naturalmente, porque garante a sobrevivência da mesma, um objectivo de excelência. Infelizmente, o público não funciona da mesma forma, onde a mediocricidade é promulgada e aplaudida. Onde os incompetentes mantêm os seus postos de trabalho e onde existem filas de espera intermináveis.

    Eu estou longe de defender o modelo americano (aliás, basta ler o meu blog para constatar precisamente o contrário), principalmente no ponto em que a saúde não é um direito mas uma regalia garantia via seguro de saúde ou muito dinheiro. No entanto, os hospitais privados funcionam bem, disso não haja qualquer dúvida. Se puder existir um modelo em que a saúde é garantida mas o hospital funciona condignamente, porque não? Só porque tu achas que a palavra “privado” é um papão capitalista?

    Por fim, quanto à Ana Drago, ela pode ter enganado muita gente, mas não me engana a mim. É mais um menina da esquerda-caviar que acordou com os pés fora da cama. Tem por detrás uma família com bastante dinheiro, o que lhe permite dizer o que bem lhe apetece e uns dias acordar anárquica e noutros acordar libertária. Mas no final do dia, o mundo é real, e ela continua sob efeito de narcóticos.

    Quanto aos charros e às drogas leves, eu sou liberal em relação a isso. Também fumo e defendo, aliás, a liberalização das drogas leves. Não estava a fazer uma crítica — apenas a transmitir uma metáfora. Afinal, como é que a Ana Drago pode ser tão utópica se não sob a influência de um narcótico? Só se vivermos em dimensões distintas.

  6. Ainda bem que me enganei, alguém que defenda o sistema que existe nos estados unidos vive numa dimensão distinta da minha :P

    Obviamente que os privados existem para gerar dinheiro, e não se espera menos(…)

    E, como é óbvio, muitas vezes vão longe de mais para defender os seus interesses. Então como podes tu deixar ao seu cuidado o futuro de um pais!? Como podes defender que a melhoria num rendimento pode sacrificar tudo aquilo que tu também defendes. O acesso a uma saude e educação de forma igualitária e de qualidade? Esse rendimento extra, muitas vezes conseguido através de deviant-ways, vale assim tanto!?

    Infelizmente, o público não funciona da mesma forma, onde a mediocricidade é promulgada e aplaudida.

    O publico funciona a imagem do pais. Infelizmente as pessoas competentes do publico, e elas existem aos montes, são remetidas para segundo plano já que existem vícios, raízes, que mantem as coisas como estão. Não se deve então atacar esse problema em vez de simplesmente dar tudo de mão beijada aos privados, onde eles conseguem como a menina esquerda-caviar diz, e muito bem, uma renda sem risco?

    Só porque tu achas que a palavra “privado” é um papão capitalista?

    Eu não acho, é. Porque as empresas o são. É normal recear quando todos os dias vemos nas noticias situações de abuso clarissímas. Não viste o que aconteceu no BCP?!? Não te choca? Como podes querer uma sociedade equilibrada quando isto acontece num banco, onde os teus e os meus impostos entram quer tu queiras quer não queiras.

    Quanto aos charros e às drogas leves, eu sou liberal em relação a isso. Também fumo e defendo, aliás, a liberalização das drogas leves. Não estava a fazer uma crítica — apenas a transmitir uma metáfora. Afinal, como é que a Ana Drago pode ser tão utópica se não sob a influência de um narcótico? Só se vivermos em dimensões distintas.

    Eu gosto de pensar que vivo numa dimensão distinta. Basta ires ao Aleixo e veres o porquê. A degradação do ser humano completamente exposta. Portanto gosto de pensar que posso fazer alguma coisa, quer posso melhorar as coisas. Senão não estava aqui para nada.

  7. a gaja é muito boa…

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