nunojob:~ dscape/08$ echo The Black Sheep

Ensino Superior e a CriatividadeUm estudo recente afirma existir uma correlação entre o número de anos que se passa no ensino superior e a capacidade criativa de um individuo.

Não consigo deixar de matutar sobre o assunto.

Parece evidente! Todos os dias somos completamente formatados para aprender isto ou aquilo, não temos qualquer liberdade sobre os projectos que escolhemos fazer e as aulas são iguais de ano para ano. Semana após semana entregamos relatórios sobre os assuntos que nos são indicados e acabamos por não ter tempo nenhum para estudar aquilo que queremos.

Eu, por exemplo, gostava de andar a estudar sobre:

  • Webservices;
  • Webcrawlers;
  • DB;
  • Ruby on Rails;
  • Usabilidade;
  • Open Source;
  • GPS.

Isto são os temas que me interessavam para desenvolver os projectos que tenho como pendentes. Onze projectos pendentes… :\ Uns mais viáveis que outros, claro, mas como dizem os ingleses “that’s not the point“. O que interessa é que no ensino superior não temos liberdade de escolha. O que deveria ser um ensino por excelência falha redondamente no que toca a criar pessoas empreendedoras, criativas e inovadoras. Pior, castra-as e frustra todas as expectativas que possam ter em levar em frente os seus projectos. Estão demasiado ocupadas a estudar <insira-aqui-o-que-desejar>.. Talvez Introdução aos Sistemas Dinâmicos. :P

Be what you want but always be youNão quero com isto dizer que o que tenho andado a aprender é inútil. (XML, XSL, XQuery, DB, SQL, UML, MDD) Simplesmente não é coincidente com a minha agenda. E, no ensino superior português, nos não temos agenda. É a agenda que nos tem a nós. Todos os dias.

Recentemente, numa conversa com o professor Armando, soube que na Dinamarca as coisas não funcionam assim. Existem Universidades onde nem existem aulas teóricas. Os alunos tem laboratórios abertos 24 horas por dia e projectos a realizar. Têm também algumas horas em que está um docente disponível não para os ensinar, mas para os ajudar com o projecto. A experiencia de aprendizagem tem os dois lados, os alunos aprendem mas o docente também. E, segundo o mesmo, alguns dos projectos conseguiam resultados bestiais. É difícil entender que se pode aprender assim?

Claro, os nórdicos fazem tudo bem. Os portugueses nunca são capazes certo? Pelo menos é isto que o imbecil do Luís Filipe Menezes pensa. Eu cá não vou em grupes e sei muito bem que não é assim. Os portugueses são capazes.. Se os deixarem!

Nas empresas, pelo menos por cá, parece-me que temos o mesmo problema. Os engenheiros que conheço têm 120% do seu tempo de trabalho ocupado. Os 20% que lhes faltam é da sua responsabilidade arranjar. (Isto sem sequer falar nos salários vergonhosos que por cá se praticam) É o salve-se quem puder. Em Portugal mede-se a dimensão de uma empresa pelo tamanho da sua conta bancaria. Alguns diriam que é a única maneira.

Eu como fui muito mal educado discordo completamente.

GooglePlex - Montain View - 42

La fora, por exemplo, na Google os developers tem aquilo que eles chamam de 20% project. Fixe, mas que raio é isso? Basicamente significa que cada developer deve gastar 20% do seu tempo a criar um projecto, seja ele qual for. Um dia por semana, se quiserem, a coçar a micose. Contudo algumas das ideias que sairam deste 20% project são o Google Reader, Google Suggest, AdSense for Content. Porreiro? Eu pelo menos acho que sim. (Só devia era ser mais o 100% project! :P)
Mas cuidado nem todas as empresas lá fora são assim! Existem aquelas que os Portugueses tomam como exemplo. Como por exemplo os meus amigos da Microsoft.

 

E essas vivem apenas da gestão do seu interesse. O seu objectivo é criar mais e mais riqueza. Já nem sabem bem porque, apenas sabem que é isso que querem.

Comments on: "Ensino Superior e a Criatividade" (13)

  1. Por acaso a cena do 20% do tempo na Google, já existia há muito mais tempo na microsoft, simplesmente não tinha o número 20, era ilimitado desde que não esquecesses o projecto principal.

    E digo-te que a maneira como a Microsoft e outras multinacionais que conheço funcionam é MUITO melhor que empresas portuguesas!

    Mas no fundo concordo com o teu ponto em que as universidades não contribuem para a criatividade.

  2. Eu não concordo nada com esta ideia de que o ensino superior português é castrador, e que lá fora é que é bom, e mais não sei quê…

    Sim, o nosso ensino superior tem algumas características irritantes que não contribuem em nada para motivar os alunos (p.ex.: a insistência em tratar a matemática como uma disciplina abstracta nos cursos de engenharia — em vez de a integrar de forma aplicada — algo que só serve para reforçar a ideia, errada, de que a matemática não serve para nada), mas é tão bom quanto qualquer outro sistema “estrangeiro”.

    O problema são dois: os sistemas de ensino anteriores à universidade, e os alunos.

    Até à universidade a escola não motiva absolutamente nada, bem pelo contrário. E porquê? Porque tens duas correntes de pensamento opostas, e igualmente erradas: os que acham que a escola tem de ser seca e os alunos não têm outro remédio senão marrar os conteúdos, e os outros que acham que a escola pode ser “divertida” e outras parvoíces que tais. A escola tem de transmitir conhecimento, e tem de incutir nos alunos a ideia de que aquilo realmente serve para alguma coisa…

    Quanto aos alunos, a maioria é incapaz de aproveitar o que a universidade tem para oferecer… Tens dois grandes grupos: o grupo dos foliões que passam a vida nos copos, e o grupo dos marrões cujo objectivo é passar a tudo com grandes notas. Ora, nem os foliões, nem os marrões saem da universidade com mais conhecimento, simplesmente porque a universidade não serve para transmitir conhecimento nas aulas… As aulas (e a matéria que nelas é dada) são apenas um ponto de partida para os mais interessados aprenderem coisas relacionadas, mas que nunca vão ser dadas por nenhum professor.

    O problema é que esta aproximação não combina com o desejo de acabar o curso no tempo regulamentar… Porque ter projectos pessoais e aprender fora dos currículos consome muito tempo, tempo que vai faltar para fazer certas cadeiras. No entanto, os anos extra que se passam na universidade por este motivo compensam.

    E quem anda lá uns anitos a mais é normalmente rotulado como preguiçoso. No entant

  3. Hmm, o comentário anterior ficou aí com um bocado de “trailing garbage” :)

  4. Não fosse a última parte do teu artigo e teria dito que estava espectacular.

    A história do “horror” à Microsoft já está a cair em desuso. Da mesma forma que louvar a Google também. Ambas as empresas como objectivo “criar mais e mais riqueza”, não te enganes. Podem até tomar caminhos diferentes, mas o objectivo final é o mesmo.

  5. Agree, estou a passar pela mesma situação, e como trabalho a full time acaba por se tornar complicado. No meu caso os meus interesses vão mais para o linux e open source, em contraste com o que é leccionado, e que são apenas tecnologias microsoft.
    Por outro lado também tenho projectos que quero realizar, mas mesmo assim quero conciliar. Quem vai sofrer são as notas, mas acho que a minha própria formação vem 1º e só depois vem o canudo.

  6. Miguel Nunes said:

    E vires pras aulas??

  7. Na Dinamarca o ensino é orientado para o trabalho em grupo, desde a infância, pelo que não existem aulas. Existem alunos numa sala a estudarem e a fazerem trabalhos em grupo com o apoio de um professor.

    Quanto à Microsoft e o Google. Nem tudo no Google são rosas e nem tudo na Microsoft são espinhos.

  8. plo k segundo esse tal estudo, eu estarei tao criativa cm a endemol a copiar tds os programas desse país fantastico k se xama estrangeiro e k parece ter as soluçoes ideais para tudo. eu ate fazia tb um projecto pra mostrar k ainda me resta umas gramas de criatividade no deserto k é a minha massa enssufálica (cm é k se escreve?) mas nao tenho tempo!

  9. hmm … encefálica? sou criativa na ortografia plo menos!

  10. Olá Nuno,

    Apenas para refutar a ultima parte do post. Na realidade, todos os colaboradores Microsoft têm commitments bem interessantes. Como exemplo, um consultor pode ter 33% do seu tempo, afecto a iniciativas que não geram qualquer tipo de receita, como formação, trabalho comunitário, etc. Alem disso, podem haver ainda outro tipo de commitments que incentivam o envolvimento em iniciativas comunitárias, pet-projects, etc.

    Posso te dizer por experiência pessoal, que estas métricas são claramente observadas e seguidas de perto, e apenas opções pessoais e individuais poderão fazer com que não optes por fazer este tipo de gestão….

    cpmts

  11. miguel nunes … o ensino superior absorve tanto o nuno k o jovem nem tem tempo de ir as aulas

  12. Não levem a parte da Microsoft tão a peito :P

    Estava só a pegar com os senhores. No meu dia-a-dia uso muitas vezes MS Windows.

  13. O ensino superior em Portugal é castrador sim. E muito.

    Castrador para os alunos e para os professores.

    Levou-me anos até descobri que afinal o objectivo de quase todos os alunos que tive não era aprender, argumentar, evoluir, inovar mas tão simplesmente terem um número na pauta com dois dígitos.

    Resultado, tornei-me num lançador de números :)

    Parabéns pelo blog, Nuno.

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